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RESPOSTA À INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO![]() Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
depois da Luz, se segue a noite escura, em tristes sombras morre a formosura, em contínuas tristezas a alegria. Porém, se acaba o Sol, por que nascia? Se é formosa a luz, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na luz falta a firmeza, na formosura não se dê constância, e na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, e tem qualquer dos bens por natureza a firmeza somente na inconstância. Gregório de Matos. (1633-1696) Poesia Barrôca ![]() .![]() Hoje sou pastor de rios sentinela das colinas mirante das fortalezas nas ameias das neblinas... É por mim que à noite os ventos vêm chorar sobre as ruínas. A. Estebanez DO SABER...Não existe ocupação tão agradável como o saber; o saber é o meio de nos dar a conhecer, ainda neste mundo, o infinito da matéria, a imensa grandeza da Natureza, os céus, as terras e os mares. O saber ensinou-nos a piedade, a moderação, a grandeza do coração; tira-nos as nossas almas das trevas e mostra-nos todas as coisas, o alto e o baixo, o primeiro, o último e tudo aquilo que se encontra no meio; o saber dá-nos os meios de viver bem e felizmente; ensina-nos a passar as nossas vidas sem descontentamento e sem vexames. Cícero,de 'Disputas Tusculanas' ELEGIAPor que de estranhas terras eu te acompanho lua solitária
E durmo ouvindo os teus passos de anjo pela noite Quando os velhos desejos desaparecidos voltam à flor das ondas E a noite do exílio levanta as suas árvores de sonho, De um tempo imemorial eu acompanho as tuas viagens, Tu que vestes os mortos com o que cai do coração dos vivos Eu te acompanho pelo céu escuro Sentindo como tua a vertigem da morte que anuncias. Tu que de um tempo longo ergues teus olhos sobre o tempo E apenas náufragos aportam a esse país estranho em que tu vives. Ouço tua voz cair no mar da madrugada Para que o céu se deite sobre ti como um sepulcro E as estrelas brilhem nesta noite escura como incêndios. Paulo Plínio Abreu In: Poesia (Belém do Pará -1921-1959) |
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